A pediatria envolve muito mais do que tratar de doenças. O acompanhamento pediátrico quer assegurar que a criança passe por todas as etapas da vida infantil e adolescente de forma harmônica, aproveitando o máximo do potencial de crescimento e desenvolvimento.
PUERICULTURA
O termo puericultura surgiu em 1762, em um tratado do suíço Jacques Ballexserd. O termo foi reafirmado em 1865, pelo médico francês Caron.
No Brasil, a partir do final do século 18, já se observa um progressivo aumento da atenção médica dirigida às crianças. A puericultura, incorporada aos avanços da teoria microbiana, chega ao Brasil, a partir da França, por Moncorvo Filho, que funda, em 1899, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro. Uma contribuição importante foi dada por Pedro de Alcântara, que se ocupou da prevenção das diversas formas de pressões do ambiente, sejam as psicológicas, decorrentes, por exemplo, do desprezo ou do excesso de estimulação por parte da família, sejam as resultantes de uma alimentação inadequada, sejam as de ordem social.
Nos dias atuais, o pediatra se depara com situações familiares de grande diversidade: mãe ou pai solteiro, desempregado ou trabalhando fora o dia inteiro; crianças fora da escola, sozinhas na rua ou obrigadas a trabalhar; crianças adotadas em circunstâncias nem sempre adequadas; gente com valores e crenças diferentes dos padrões usuais; migrantes de toda a sorte; graus variados de pobreza. Alem disso, as famílias sofrem fortes pressões do meio ambiente: violência urbana crescente e riscos no trânsito; exposição ao fumo, álcool e outras drogas; comportamento sexual inseguro e cada vez mais precoce; situações de abuso físico; influencia negativa dos meios de comunicação, principalmente a televisão.
Hoje se estima que o pediatra devote até 40% de sua atividade clinica do dia a dia nos chamados serviços preventivos, desde consultas pré-natais, estendendo-se ao longo da infância até o final da adolescência. A identificação do pediatra com estes serviços é tão grande que, como já disse Eduardo Marcondes, a transcendência da promoção de saúde é uma daquelas percepções de caráter formativo sem as quais não sé é pediatra.
Há inúmeras questões que preocupam os pais cujo manejo não foi avaliado, mais exigem algum tipo de intervenção do médico. O pediatra precisa estar atento às estratégias e aos avanços que podem melhorar seu desempenho, além da atuação multiprofissional coordenada. Vale lembrar que, como em qualquer consulta médica, é essencial um diagnóstico adequado da saúde da criança e seu microambiente; todo paciente tem que ser avaliado dentro do contexto de sua família e comunidade.
O número ideal de consultas de supervisão de saúde vem sendo estabelecido em função dos momentos primordiais do crescimento e do desenvolvimento em que se requer o ajuste dos cuidados, a fim de que as ações preventivas e educativas garantam a plenitude da proteção destes dois fenômenos, a cuja normalidade toda a criança tem direito, como requisito do êxito bio-psicoafetivo-emocional de que depende seu bem estar físico mental e social. A Academia Americana de Pediatria aumentou o número de consultas de supervisão (nascimento até 21 anos) de 14 para 28, excluindo a consulta pré-natal.
Cabe ao puericultor atuar na prevenção, isto é, agir mais para evitar, afastar ou controlar os fatores de risco do que tratar das doenças.
A meta é fazer o diagnóstico e listar os problemas detectados, em relação à alimentação, estado nutricional (desnutrição, anemia, obesidade), imunização, crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor, pubertário e comportamental.
A anamnese exige técnicas de comunicação, de acordo com o nível da família, para obter, durante a consulta, dados objetivos sobre as condições de vida da criança e as condições familiares e ambientais, incluindo:
1. Condições econômicas e sociais da família (risco social);
2. Condições de moradia (salubridade) e da creche/escola;
3. Alimentação (detalhada) habitual, ênfase no aleitamento materno;
4. Funcionamento intestinal;
5. Habilidades de acordo com a etapa do desenvolvimento (Teste de Denver);
6. Temperamento e personalidade, comportamento (saúde mental);
7. Linguagem;
8. Acuidade visual;
9. Sono;
10. Disciplina (erros educativos);
11. Atividades lúdicas e sociais (brincadeiras);
12. Escolaridade;
13. Vacinação.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria
Página desenvolvida pelo Dr. Getúlio Bernardo Morato Filho. O conteúdo visa orientar o paciente e adicionar mais informações ao conhecimento dos pais e dos próprios adolescentes. As informações contidas não substituem o atendimento médico e em caso de qualquer dúvida, contate o autor ou o pediatra do seu filho.